Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Em jeito de Rescaldo, o Entrudo

E pronto, lá se passou mais um Carnaval, e quase Fevereiro se risca do calendário. Por falar em calendário, alguém deu por conta do Entrudo? Vim à janela de vez em quando a ver se via ou ouvia alguma coisa, e o que me aconteceu foi apanhar um frio de rachar. Fui até ao centro comercial, a ver se também via alguma coisa, limpei os óculos várias vezes, e descortinei umas crianças que, por debaixo dos kispos, deixavam antever uma saia de tules, umas calças de palhaço, um pouco de cor e de alguma coisa que não fosse habitual. Também lhes vi os rostos, não precisavam de máscara pois não escondiam a tristeza de ter algo vestido e tapado, que não "brilhavam" como tinha sido o desejo. Ver damas antigas, rainhas, e espanholas de sapatos de ténis, é triste. Ver zorros com as capas por cima dos anóraques, ainda é pior. E as princesas com as tiaras por cima dos barretes de lã? Só se safavam os pequenitos que de gato, tigre, Nódi, coelho lá andavam quentinhos e aos saltos, a rigor.

Lembro-me dos tempos em que a minha mãe ía comigo a uma senhora em Cascais que tinha um guarda-roupa especial de Carnaval, alugar o meu traje completo, que incluía o adereço de cabeça - chapéu, véu, tiara - e os sapatos - ou chinelas ou botas. Era a fatiota toda dos pés à cabeça. Um brio. Não participava em concursos mas nesses dias eu brilhava, fizesse chuva ou sol, porque estava agasalhada por debaixo do fato, e andava feliz da vida.

Que desconsolo foi ver os carnavais portugueses com as sambistas a tremer de frio, as penas desconsoladamente caídas, vergadas pela chuva, as pessoas a assistirem sentadas com mantas pelas pernas, enquanto o corso seguia ao som da "Cidade Maravilhosa" e era em Torres Vedras, a tal do Carnaval mais português de Portugal, a malhar nos políticos e politiqueiros.

No próximo ano vou até às aldeias, ao Norte ou no Alentejo. Aí sim, verei o que é o Carnaval português, o do povo e das suas tradições. Em que as máscaras se escavam na madeira, os panos saltam das arcas e dá-se a metamorfose para outro ser que parece retirado do bosque, uma força da natureza, que canta e dança ao som dos instrumentos da terra.

Até se calarem na Quarta-feira de Cinzas, prenúncio de Quaresma.

 

(Foto retirada da Internet - "Lazarim")

 


publicado por Nanda Costa às 12:44

link do post | comentar | favorito

5 comentários:
De Anónimo a 1 de Março de 2010 às 12:19
A MÁSCARA MAIS GIRA QUE VESTI ATÉ HOJE FOI A DE EMÍLIA DO SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO. TAMBÉM QUERO IR AO NORTE VER CARNAVAL A SÉRIO, ESTOU FARTA DE PSEUDO-BRASILEIRAS CHEIAS DE FRIO! Lol


De Nanda Costa a 9 de Março de 2010 às 13:00
Pois, brasileira e não só, porque o é mais triste é ver as portuguesas a imitar as brasileiras. Porquê e para quê? Muita gostam os portugueses de adoptar atitudes sociais de outros países, mas há alguma lógica andar emplumada e de fio dental de lantejoulas com temperaturas abaixo dos 10º ?


Comentar post

.posts recentes

. Tenho Andado Arrependida

. Em jeito de Rescaldo, o E...

. Baralhar e Tornar a Dar

. Os Novos Especialistas

. Dona Abastança

. "Desta Água Não Beberei"

. Segunda-Feira

. Pequeno Ensaio sobre a Pr...

. O Dilema

. Antes Que me Arrependa...

.arquivos

. Março 2010

. Fevereiro 2010

.subscrever feeds