Terça-feira, 9 de Março de 2010

Tenho Andado Arrependida

Pois, tenho mesmo andado arrependida por ter começado este blog. A falta de ideias para escrever é notória, ás vezes dou por mim a espremer a massa cinzenta a ver se sai alguma coisa, e o mais que consigo é uma bruta dor de cabeça, sumo que é bom está de chuva.

E por acaso até tem estado, e de vento e de frio também. O tempo anda doido varrido, muita gente se questiona onde é que vamos parar com tanta doideira, até parece que a Terra, a nossa bola azul, decidiu espreguiçar-se e abanar algumas placas tectónicas. O mais aborrecido é que dá uns estalos valentes às pessoas que estão por cima e não têm culpa que ela se sinta tão preguiçosa!

Isto é uma maneira ligeira de encarar toda aquela tristeza do Haiti, Chile e agora a Turquia. O que andamos nós a fazer? O que se está a passar com o nosso planeta? haverá volta a dar? O prof. Anthímio de Azevedo é que sabe das coisas. Cada vez haverá mais fúria dos elementos, os extremos vão assolar a Terra, muito frio no Inverno e muito quente no Verão, o desaparecimento das estações intermédias, Primavera e Outono.

E se o Prof. Anthimio o diz, assim vai ser.

Porque tanto ontem como hoje, quando este senhor fala toda a gente acredita!

Este post foi em jeito de reflexão.

Porque estou mesmo com muito pouca vontade para escrever. E arrependida de ter começado esta caderneta de cromos, eu que nunca gostei de colecções...

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publicado por Nanda Costa às 13:17

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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Em jeito de Rescaldo, o Entrudo

E pronto, lá se passou mais um Carnaval, e quase Fevereiro se risca do calendário. Por falar em calendário, alguém deu por conta do Entrudo? Vim à janela de vez em quando a ver se via ou ouvia alguma coisa, e o que me aconteceu foi apanhar um frio de rachar. Fui até ao centro comercial, a ver se também via alguma coisa, limpei os óculos várias vezes, e descortinei umas crianças que, por debaixo dos kispos, deixavam antever uma saia de tules, umas calças de palhaço, um pouco de cor e de alguma coisa que não fosse habitual. Também lhes vi os rostos, não precisavam de máscara pois não escondiam a tristeza de ter algo vestido e tapado, que não "brilhavam" como tinha sido o desejo. Ver damas antigas, rainhas, e espanholas de sapatos de ténis, é triste. Ver zorros com as capas por cima dos anóraques, ainda é pior. E as princesas com as tiaras por cima dos barretes de lã? Só se safavam os pequenitos que de gato, tigre, Nódi, coelho lá andavam quentinhos e aos saltos, a rigor.

Lembro-me dos tempos em que a minha mãe ía comigo a uma senhora em Cascais que tinha um guarda-roupa especial de Carnaval, alugar o meu traje completo, que incluía o adereço de cabeça - chapéu, véu, tiara - e os sapatos - ou chinelas ou botas. Era a fatiota toda dos pés à cabeça. Um brio. Não participava em concursos mas nesses dias eu brilhava, fizesse chuva ou sol, porque estava agasalhada por debaixo do fato, e andava feliz da vida.

Que desconsolo foi ver os carnavais portugueses com as sambistas a tremer de frio, as penas desconsoladamente caídas, vergadas pela chuva, as pessoas a assistirem sentadas com mantas pelas pernas, enquanto o corso seguia ao som da "Cidade Maravilhosa" e era em Torres Vedras, a tal do Carnaval mais português de Portugal, a malhar nos políticos e politiqueiros.

No próximo ano vou até às aldeias, ao Norte ou no Alentejo. Aí sim, verei o que é o Carnaval português, o do povo e das suas tradições. Em que as máscaras se escavam na madeira, os panos saltam das arcas e dá-se a metamorfose para outro ser que parece retirado do bosque, uma força da natureza, que canta e dança ao som dos instrumentos da terra.

Até se calarem na Quarta-feira de Cinzas, prenúncio de Quaresma.

 

(Foto retirada da Internet - "Lazarim")

 


publicado por Nanda Costa às 12:44

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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

Baralhar e Tornar a Dar

Para ser sincera, creio que a maior novela que anda aí é o Caso Casa Pia, em imaginação e enredo bate aos pontos qualquer uma das nossas TVs. Isto já para não falar dos outros casos mediáticos, que até agora não trouxeram nada de novo, zangaram-se as comadres e pronto. Mas o da Casa Pia é um poço de surpresas. Há uns tempos, creio que no final do ano passado, li que os arguidos estavam a querer rapidez nas alegações finais para acabar de vez com a novela, ou vão à suas vidas ou vão dentro. Desde o início que se pensa que no final quem se vai lixar é o mexilhão, é natural, estamos em Portugal. Portanto, a sentença queria-se rápida. Então porque razão pediram à senhora juíza que alterasse datas e lugares de 11 crimes, e porque cargas d'água ela aceitou? "Não foi naquela casa, foi um bocadinho mais ao lado..." Ao que se parece, para tornar pouco concretas algumas acusações e assim esticar a pastilha "ad eternum".

O que aconteceu é que os arguidos andaram de bloco de notas na mão a percorrer as tais ruas, a tomar nota de números de portas, para depois saber quem é o proprietário para arrolarem "novas testemunhas" (se estivesse aqui o meu primo Néca dizia logo que bastava ir ao Google...). Ora, depois de palmilharem toda a zona da envolvente da Feira da Popular, os arguidos - sim, foram eles próprios e os advogados - acabaram com um rol de mais de 100 nomes de proprietários de andares e lojas, que ainda vão ser chamados.

Imaginem agora o que era você, proprietário de um andar que arrendou em mil-novecentos-e-troca-o-passo, receber em casa um oficio do tribunal para ir depôr no caso Casa Pia. Diria: mas o que é que eu tenho a ver com isso?

O mais caricato, se ainda puder haver tal coisa num caso como este, é que a senhora Juíza no dia 19 pode indeferir liminarmente todos os requerimentos! Acho que em 2025 finalmente se chegará a uma conclusão.

Justiça cega? Não, é estrábica.

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publicado por Nanda Costa às 12:33

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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Os Novos Especialistas

O meu Pai sempre me disse que Portugal um dia iria ser um país de doutores. Bem, em boa parte até tem a sua razão, e digo em parte porque podemos não ser todos doutores mas tornámo-nos especialistas em qualquer coisa. Se fôssemos doutores, seríamos os da "mula ruça" que sempre os houve e haverá.

O que está na moda é a requalificação, ou seja, pega-se numa profissão, junta-se-lhe uns mesitos nas "Novas Oportunidades" mais um "Magalhães", mais uns sais por causa dos nervos, um pós de sabedoria de algibeira, mexe-se tudo muito bem, põe-se em lume brando porque à noite já andam todos demasiado cansados para andarem a esgalhar, e eis que sai um profissional reciclado, que vai a correr actualizar a ficha no fundo de desemprego para ficar exactamente na mesma.

Eis alguns dos novos especialistas portugueses, porque se fosse a mencionar todos nunca mais saía daqui:

 

Especialista em fluxos de distribuição (paquete) - eu nem sabia que ainda existia a função de "paquete", portanto considero que seja uma repescagem e não uma reclicagem;

Supervisora Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde - ou seja, a mulher da limpeza.

Coordenador de Fluxos de Entradas e Saídas - o dito "porteiro", que está ali para fazer entrar pela direita de quem entra e sair pela direita de quem sai. Enfim.

Distribuidor de Recursos Humanos - são os motoristas daquelas carrinhas que vão levar os colaboradores aos locais de trabalho (esquinas, passeios, saídas de Metro...) e que depois os recolhem ao final do dia; os motoristas de autocarro deviam ser os mais bem pagos porque distribuem o pessoal com destino ao centro de emprego com a esperança de se tornarem em recursos humanos de alguém.

Especialista em Logística de Combustíveis - o empregado da bomba de gasolina, tem que ser bom nos 100 metros barreiras, para correr à noite atrás dos putos que abasteçem e bazam sem pagar.

Assessor de Engenharia Civil - o trolha, claro está, tem que ter no currículum a formação adicional de prova de cervejolas, ou seja, identifica a bjéca só pelo aroma...

Técnica Conselheira de Assuntos Gerais - um bom exemplo disso é a Maya, sabe de tudo e mais alguma coisa só por deitar o "tarot" e consultar a "bola de cristal", em programa informático diga-se, além de ler as colunas sociais a sua maior fonte de informação. Segue o lema do "vai-dizendo-que-um-dia-acertas", e é garantido!

Técnica em Terapia Masculina e Técnica Especialista em Terapia Masculina - esta é, até ver, a única que tem perspectivas de carreira, ou não fosse a antiguidade um posto, ou seja, trata-se de "prostituta" e "prostituta de luxo" com a possibilidade de chegar ao topo da carreira, ou seja "acompanhante pessoal"...

E para acabar:

"Técnico Superior de recolha de Artigos Pessoais" - actua principalmente no Metro e autocarros em hora de ponta, recolhe os objectos mas nunca os devolve, pode complementar a carreira como "Técnico de Redistribuição de Rendimentos", o "Robin dos Bosques" em proveito próprio, ou "Técnico de Marketing Direccionado, dependendo da lábia com que enrola o incauto.

... e para acabar de todo com esta lista:

Técnico Superior Especialista de Assuntos Específicos Não Especializados - o político. Não perceberam? É mesmo assim, para não se perceber.


publicado por Nanda Costa às 12:12

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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Dona Abastança

Quando li este poema de Manuel da Fonseca, fez-me lembrar uma certa gente num certo país que consegue viver no luxo da aparência..

 

Dona Abastança

«A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.

Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»

Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

 


publicado por Nanda Costa às 12:34

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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

"Desta Água Não Beberei"

Hoje gostaria de estar em qualquer lado que não fosse o sítio onde estou. Se soubesse guiar, montava-me no "cavalo" - de preferência um Smart(zinho) - e ala moça que se faz tarde!

De preferência para norte, é uma paixão, e principalmente prós lados da Beira Alta.

Estive a rebuscar nas minhas fotografias e encontrei esta, de uma quadra popular desenhada em azulejo que está num poço, muito antigo, em Trancoso:

 

Ninguém diga que desta água não beberei...pois a mim só me apetece pegar a estrada e ir matar a sede ao poço de Trancoso, é só um daqueles que se encontram no caminho.


publicado por Nanda Costa às 15:17

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Segunda-Feira

Mais uma segunda-feira, mais uma semana. As pessoas não se dão muito bem com os inícios de semana, pelo menos é aquilo que eu ouço e que leio.

Devo estar a remar contra a maré, ou então ando noutro planeta, ou então sou mesmo diferente dos demais, mas já digo isso, não gosto de ser diferente, gosto mais de pensar que para mim as segundas é como que a libertação da modorra do fim-de-semana, embora já esteja bastante farta desta rotina diária.

Mas sempre é melhor que os meus fins-de-semana, dormentes e apáticos, em que até o cérebro se recusa a pensar, em que dou por mim a tentar desesperadamente compreender aquilo que me dizem sem o conseguir, em que dou comigo a dormitar no sofá com a TV ligada. Levo o fim-de-semana a tentar despertar-me, às sextas dá a sensação que a minha pessoa iberna por 48 horas, o sono abate-se sobre mim de uma maneira tal que me faz sentir como que esmagada nos escombros do terramoto que é a semana de trabalho.

Preparo-me para mais um abalo com epicentro muito perto que vai provocar muitos estragos na vontade de aturar mais uma semana igualzinha à que passou.

Porque hoje é segunda-feira.

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publicado por Nanda Costa às 08:26

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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Pequeno Ensaio sobre a Prepotência

 As pessoas às vezes espantam-me. Isto talvez seja por eu já ter passado o meio século, porque a minha educação foi mesmo muito diferente daquelas de algumas pessoas com quem me cruzo no dia a dia, os ditos rapazes e raparigas dos meus tempos.

Se há coisa que realmente me chateia é ouvir as pessoas embirrar com as outras por dá cá aquela palha. Somos humanos, erramos é certo, mas também se podia pensar um bocadinho antes de partir para o insulto, com base em ideias preconcebidas. Ou seja, há muito boa gente que mata e depois pergunta. Um bom ouvinte é algo cada vez mais raro nos dias que passam, mas depois há aqueles que, ao ouvirem os desabafos de alguém a quem aconteceu uma desgraça física, emocional, a morte de um parente, a ida para o desemprego, ficam muito pesarosos e dizem com a mão do ombro do desgraçado "eu sei o que isso é" sem nunca terem tido o azar de passar por aquela situação. São bem intencionados, eu sei, mas...

 


publicado por Nanda Costa às 08:15

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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

O Dilema

Os chineses andam de lanternas às avessas com os americanos porque o presidente Obama decidiu que, desta vez, ía mesmo receber o Dalai Lama. Isto parece aquelas relações pouco recomendáveis, do género somos amigos mas não podes ser amigo de fulano-de-tal. Isto de amizade nada tem, como é obvio, mas os chineses e os americanos também não o são, o que eles têm é uma cooperação. Então se o Obama falar com o "arruaceiro" e "chefe de um grupo separatista", como eles lhe chamam, lá se vai a "cooperativa".

O dilema está nas sanções, é que os chinos não abriram o jogo. E os americanos tremem.

Talvez seja esta a primeira grande decisão do "Mr. President", é que a sanção pode ter duas vertentes de sobremaneira importantes para os seus con-cidadãos: ou mandam fechar todas as lojas dos trezentos e restaurantes e os chinocas voltam todos pra casa, ou deixam de emprestar o Jackie Chan para os filmes de cobóiadas com kung-fu! É que os fogareiros das churrascadas de domingo são acesos com o carvão dos chineses, daquele que até rebenta - sabem lá o que está escrito no saco, está em mandarim! - mas grelha a carne num tirinho, de tal maneira que às vezes até o churrasco acaba antes de começar, o que eles percebem muito bem é o cartão escrito a feltro que diz "1 Dollar". Com a crise instalada, é uma grande ajuda para a tradição mais respeitada a seguir ao Dia de Acção de Graças e ao Halloween! E onde é que eles vão buscar o chao-min para comerem no escritório com pauzinhos para desenjoarem das pizzas e dos hambúrgueres? E se o Jackie Chan se for embora, o que vai ser dos serões televisivos agora que a Oprah vai também bater com a porta?

Será que vale a pena confrontar aqueles porreiraços - que até vão julgar agora um bando de criminosos, uns 12 altos funcionarios do estado, que espalharam o terror numa cidade chinesa, uns tipos pacatos com ligações à máfia, lenocínio, subornos multimilionários, violação, homicídio, que incorrem até em pena capital e com a hipótese do tribunal ficar com todo o dinheiro daqueles "anjos" - só porque o Obama quer falar com o "arruaceiro" do Dalai Lama, que acha simplesmente que já é tempo de o Tibete voltar a ser dos tibetanos?

Eu pensava melhor, porque depois de uma semana a procurar emprego ainda ficar sem as barbecúes aos sundais nos báquiardes é que não pode ser nada!


publicado por Nanda Costa às 08:00

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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Antes Que me Arrependa...

O melhor é dizer qualquer coisa.

 

Isto de andarem a perguntar porque razão desapareci do mapa com a Roullote, informo desde já: não vendo, não vendia, nem nunca vendi farturas, e tive um ror contactos para comparecer em feiras e certames com a carripana e as ditas gulosas e gostosas. Ou seja: tive que contar a mesma estória uma data de vezes, e só não me passei porque falei com gente interessantíssima e com grande vontade de ajudar o próximo, e fiquei com a nítida sensação de que já sei o que vou fazer quando me reformar além de ir jogar à sueca pró Jardim da Estrêla. Parece que o negócio está a dar.

 

E agora passo-me daqui pra fora porque a minha vida, realmente, não é isto, e o teste de cores já está feito.

 


publicado por Nanda Costa às 15:31

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